IML - Instituto dos Mares da Lusofonia

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Discurso de Abertura dos trabalhos do Congresso

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D. Nuno van Uden ::Discurso de Abertura dos trabalhos do Congresso Video

Com licença de S.A.R. o Senhor Dom Duarte dou como aberto o II Congresso dos Mares da Lusofonia, integrado nas Jornadas Rei D. Carlos.

Senhor representante do Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Minhas Senhoras e Meus Senhores:

É com muita alegria que na qualidade de Presidente da Comissão Organizadora vos dou as boas vindas a este Congresso que em boa hora, e por sugestão do Senhor Dom Duarte de Bragança levamos a cabo, no seguimento do sucesso do primeiro, realizado em 2008.

A actualidade e importância do tema - MAR -  é por demais evidente e os encontros para o discutir multiplicam-se. Só no dia de hoje temos a decorrer 3 destes encontros, o que mostra alguma falta de coordenação, e no entanto, ainda não se interiorizou o potencial de desenvolvimento, ou mesmo de sobrevivência, que o mar representa para Portugal.

É bem sintomática a reacção negativa dos média e de alguns políticos à chegada do novo submarino não compreendendo que se trata de um essencial investimento em Soberania.

Falta, portanto, um muito maior esforço de comunicação à Nação explicitando de forma clara que o Mar é muito mais que um fornecedor de peixe ou um meio de transporte, até estes tão desvalorizados com os incompreensíveis desmantelamentos das frotas pesqueira e mercante.

Vamos, nestes dois dias, ouvir falar sobre os vários potenciais já conhecidos e de outros em estudo, acentuando o enorme valor estratégico que o alargamento da plataforma continental representa.

Portugal não é só um pequeno rectângulo à beira mar plantado no extremo da Península. É sobretudo uma Nação Soberana com vocação universal implantada numa área 40 vezes maior que o seu território e com os olhos postos no Mundo. Temos de sacudir o cobertor que nos últimos 200 anos nos têm feito definhar, e reassumir os desígnios que no passado nos fizeram Nação respeitada entre os povos.

Um desses desígnios, e talvez o mais estruturante da nossa identidade , é o aprofundamento, em todos os domínios, das nossas relações com o mundo Lusófono.

Li, á dias, a seguinte frase com a qual me identifico:

O Português autêntico sente-se cidadão do mundo e não apenas europeu, é mais africano, americano e asiático  que europeu. Isto  parece-me uma verdade insofismável, e quem adopte a Europa,  esquecendo ou ignorando a África a América e a Ásia, não é Português, embora tenha nascido em Portugal, pela simples razão de que desconhece a História do seu País, ou a despreza.]

È justamente a conjugação destes dois desígnios - o Mar e a Lusofonia - que nos impeliu á concretização do Congresso dos Mares da Lusofonia em 2008.   Ali mesmo surgiram, da parte de personalidades altamente qualificadas, sugestões no sentido da continuidade desta iniciativa e, eventualmente, de outras que tornassem efectivas as conclusões nascidas nestas jornadas. De imediato recebemos do Senhor Dom Duarte a incumbência de promover a cada dois anos um Congresso dos Mares da Lusofonia a ter lugar, tanto quanto possível, em cada um dos Países membros da CPLP, de forma a envolvermos cada vez mais nesta missão todo o Mundo Lusófono. Foi também decidida a criação do Instituto dos Mares da Lusofonia que está em fase adiantada de formação, dispondo já de estatutos, e preparado para receber os primeiros sócios.

O Instituto tem como objectivo a potenciação de sinergias  que permitam a divulgação alargada da importância do mar para o Universo Lusófono, despertando o interesse da juventude para as novas oportunidades que se abrem neste âmbito.

A promoção de encontros sectoriais nas áreas da economia do mar com empresários e investidores.

Sensibilização das academias para implementação de programas de licenciaturas, mestrados e pós-graduações ligadas às ciências do Mar, estabelecendo em paralelo protocolos com instituições de investigação em todo o mundo que acolham jovens lusófonos.

Divulgação de artigos, propostas de programas de televisão, organização de conferencias etc., que ajudem a reaproximação dos povos ao mar.

E porque já vai longa esta minha exposição vou terminar não sem antes agradecer á Câmara Municipal de Cascais e á Agencia Cascais Atlântico o entusiasmo e a generosidade com que nos receberam neste Concelho. Na verdade as Jornadas D. Carlos em Cascais fazem todo o sentido, ou não tivesse sido em Cascais o centro de estudos do oceano que o Rei D. Carlos iniciou há mais de um século, dando início á Oceanografia organizada em Portugal.

Agradeço também á CPLP ,na pessoa do Secretário Geral Sr. Eng. Domingos Simões Pereira ,o ter aceite ser nossa parceira ,e o incentivo que sempre disponibilizou á concretização desta iniciativa.

Aos conferencistas, moderadores e oradores dos vários painéis ficamos a dever o brilho do nosso Congresso. De realçar aqueles que vindo de longe, e alguns de muito longe, mostraram o carinho com que se empenharam neste nosso desafio.

Em tempos de dificuldade económica é particularmente gratificante o suporte financeiro que nos foi concedido pelos nossos patrocinadores permitindo deste modo concretizar este projecto.

Aos membros das Comissões de Honra e Científica o conforto de sermos acompanhados por tão destacadas personalidades que com o seu apoio permitiram a chegada a bom porto desta acção.

À Comissão Organizadora nem vou agradecer, pois não saberia como. É uma enorme honra para mim presidir a esta equipa. Muito Obrigado!

Senhor Dom Duarte... muito obrigado.

 

APOIANTES do IV CONGRESSO - 2016