IML - Instituto dos Mares da Lusofonia

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O Valor Económico (potencial) do Fundo do Mar

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Dr. José Poças Esteves :: O Valor Económico (potencial) do Fundo do Mar Video

Com a autorização de SAR o Senhor Dom Duarte de Bragança, cabe-me tomar conta dos trabalhos neste último painel do II Congresso "Os Mares da Lusofonia".

Agradeço o convite e, através do Senhor Dom Nuno van Uden e do Senhor Almirante Alexandre da Fonseca, quero transmitir os meus parabéns pela organização, bem como à Fundação D. Manuel II e à Comissão D.Carlos - 100 anos pela iniciativa, tão oportuna e tão necessária face à situação dificil que Portugal vive neste momento. Situação difícil em termos económicos, mas com reflexos nas componentes política e, sobretudo, social.

De facto, depois de mais de 600 anos considerando, muito justamente,  o mar com o nosso grande activo estratégico e o nosso grande domínio de desenvolvimento e afirmação internacional, nas últimas décadas, viramos costas a esse activo. No entanto, a encruzilhada difícil em que nos encontramos exige que mudemos de orientação e de caminho. A economia portuguesa que tem vindo a definhar nas últimas décadas, necessita de novos modelos de desenvolvimentos e de novos activos e recursos competitivos e de grande valor acrescentado. A economia portuguesa tem de saber aproveitar o grande activo que é o mar, bem como o outro grande activo que é a Lusofonia e a oportunidade de parcerias com os povos que a constituem.

Daí a importância do momento e da oportunidade de realização destas jornadas. É fundamental e urgente reflectir sobre as novas condições da nossa competitividade, o conhecimento (ainda) existente e o aprofundamento do potencial de novos conhecimentos, dos nossos activos e dos nossos actores e parceiros económicos e políticos, numa nova caminhada que temos de iniciar. O mar e o fundo do mar, tema deste painel, é um dos activos estratégicos mais importantes que podem apoiar esta nova caminhada de Portugal.

Mas o meu papel é o de moderar e o de presidir aos trabalhos. Temos um painel de oradores com um conjunto de temas diversificados que irão provocar reflexões importantes e nos ajudarão a entender melhor o potencial do fundo do nosso mar, bem como do fundo do mar de alguns países da nossa Lusofonia.

O Senhor Eng. Carlos Alves, o primeiro orador, é um homem com larga experiência na exploração de petróleos. Desempenhou diversos cargos internacionais, nomeadamente em Angola e Itália. Foi o último Director Geral da Fina Petróleos em Angola, antes da integração na TOTAL e ELF. É actualmente o responsável pelas actividades de Exploração e Produção da GalpEnergia. Cabe-lhe apresentar o tema " A Valia Económica do Fundo do Mar - O Caso Portugês".

O Senhor Eng. Fernando Ribeiro e Castro tem a sua formação na Marinha Portuguesa e os graus de Ocean Engineer e de Master of Science in Naval Architecture and Marine Engineering pelo MIT - EUA. Na Marinha desempenhou, entre outros, o cargo de Chefe de Divisão de Estudos e Projectos do Arsenal do Alfeite, com responsabilidades, a título de exemplo, no projecto da Lanchas Rápidas de Fiscalização e num anteprojecto de Navio Oceanográfico. No domínio privado, foi responsável pelo Departamento de Engenharia Naval da Nautis- Sociedade de Engenharia Naval e desempenhou várias funções na área dos Sistemas de Informação do Banco Finantia. Actualmente, como Secretário Executivo, é o principal responsável pela dinamização das actividades do recém constituido Fórum Empresarial para a Economia do Mar, o qual tem como principal missão a concretização do Hypercluster da Economia do Mar, nos termos desenvolvidos no estudo, com o mesmo nome, financiado por quinze empresários nacionais, sob o patrocínio da Associação Comercial de Lisboa e que teve a coordenação principal do meu colega Prof. Ernâni Rodrigues Lopes, tendo eu tido o previlégio de ter sido o vice-chefe do projecto. A próxima apresentação será sobre a missão e as actividade do Fórum.

O terceiro orador é um homem que acumula o papel de homem do mar, sendo Vice-Almirante da Marinha Portugesa, com uma larga experiência em áreas técnicas, de gestão e de reponsabilidade por elevado cargos, nacional e internacionalmente, com  o papel de economista, por ser também licenciado em Economia e professor em matérias económicas. Na Marinha teve importantes responsabilidades nas áreas de Comunicações, realizou uma comissão de serviço no QG da NATO, como Conselheiro Militar, e foi coordenador da área de Estratégia no Instituto Superior Naval de Guerra, onde também foi director.É conferencista convidado em várias instituições, nomeadamente no Instituto de Estudos Estratégicos e no Instituto de Estudos Políticos, da Universidade Católica Portuguesa, entre outras responsabilidades de carácter público e social. O tema da sua apresentação é "A Economia do Fundo do Mar".

Os dois restantes oradores trazem-nos duas perspectivas de dois países da Lusofonia.

O Senhor Eng. José Eva Aurélio, biólogo de formação e com responsabilidades de chefia na Direcção Geral das Pescas em S. Tomé e Príncipe, apresentará o tema " A Extensão da Plataforma Continental de S. Tomé.

O Senhor Comandante Luís Pité tem uma larga experiência como comandante de navios em várias partes do mundo e em várias empresas de diferentes nacionalidades. Tem dupla nacionalidade: portuguesa e timorense. Apoiou várias iniciativas em Timor, tendo desempenhado, por exemplo, o cargo de Capitão dos Portos de Timor. Tem algumas iniciativas privadas como empresário em actividades marítimo-turísticas, as quais aproveito para saudar e desejar os maiores sucessos, pois constituem exemplos do que pode ser feito na ecomomia do mar. Apresentará o tema " A Exploração de Hidrocarbonetos no Mar de Timor".

No final das apresentações, quero apenas deixar a minha satisfação pelo que aprendi e reforçar a ideia da importância da economia do mar para o actual momento de Portugal. O conhecimento do mar e dos seus recursos é uma forma determinante para desenvolver e afirmar Portugal, mas é, também,  uma forma de desenvolver e afirmar a Lusofonia.

Por fim, quero confessar uma das minhas ambições pessoais: a de contribuir para que se deixe de falar de "o Mar na História de Portugal" e se passe a falar em " o Mar no futuro de Portugal"; e, ainda mais importante para mim, é que se fale em "Portugal no futuro do Mar" e, nessa afirmação, ter de mãos dadas os nossos países irmãos da Lusofonia.

 

APOIANTES do IV CONGRESSO - 2016